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O protesto, o cerco, o caos, o sopão e o aprendizado

Noite do dia 19/06 em Brasília

Uma das primeiras lembranças de manifestações políticas que tenho foram as passeatas pelo impeachment de Fernando Collor. Pensei que não viveria para ver algo semelhante neste país. E estava enganada. Creio que nem o mais otimista poderia imaginar o tamanho da proporção que estas manifestações estão tomando às vésperas do Brasil estar na Copa do Mundo.

Confesso que chega a ser divertido ver alguns canais de TV, portais de internet, blogs e seus comentaristas se contorcendo para tentar buscar alguma compreensão certa e definida para o que está ocorrendo. Posto até estar sendo romântica em minha análise, mas estes não estão conseguindo enxergar onde está a beleza nisto: no caos do emaranhado de reivindicações que formam este “sopão” de causas, bandeiras, lutas. Não é mais tão somente o Movimento Passe Livre.

Vejo que muitos analistas e até manifestantes pedem foco aos protestos. Sinto muito: não irão conseguir. Como vi uma economista falar na Globo News: cada um tem um ideal do que é uma sociedade melhor. Óbvio, dificilmente se tem um consenso num grupo de duzentas milhões de pessoas (impossível). Mas, se analistas e manifestantes prestarem um pouco de atenção, as linhas mestras são as mesmas: saúde, segurança, educação e transporte. É difícil você se ater a uma pauta mais sofisticada quando as pautas básicas não estão sendo atendidas. É complicado pedir foco quando mesmo boa parcela do povo não tem muita compreensão do que é, do que se passa no sistema político e tem que batalhar todo o dia para conseguir o básico ou conseguir pagar o serviço privado por não conseguir desfrutar do público. É pedir que uma criança que nasceu hoje já saiba andar de bicicleta.

Posso, inclusive, parecer utópica. Porém, vejo que alguns governantes já está tremendo diante deste rastro de pólvora que se formou com os protestos, que até se espalham para cidades do interior. Sejam se apressando em apresentar estudos sobre o porquê da passagem de ônibus estar cara, sejam usando de artifícios ocultos para maioria do povo e perceptíveis aos atentos para deslegitimar os protestos e legitimar o abuso do poder. Aqui vale destacar a manobra da mídia que, a princípio, era visivelmente contra os protestos de aumento das tarifas de ônibus.

Prestem atenção aos gritos que pedem que não se levantem bandeiras de partido ou quando falam “não tenho partido”. Não resumam tudo numa crítica ao “apartidarismo”. É a hostilidade geral aos políticos, ao sistema político. Existem os apartidários sim, principalmente aqueles que não se enxergam nos partidos que mais procuram vias de ocupar o poder e no descontentamento geral dos que reclamam que no ano que vem não tem em quem votar.

Com os protestos se intensificando, vamos chegar a um ponto que os governantes terão duas alternativas: agem ou agem. Se ficam omissos, os protestos podem se intensificar com maior número de pessoas. Se agem, as pessoas gritarão por vitória e se sentirão impelidas a protestarem nas ruas. Não duvidem, se, por exemplo, se o Governo cortar ervas daninhas “felicianas” que insistem em aparecer. Por mais que sejam aliadas, as daninhas “felicianas” podem ser ofertadas ao povo para causar um contentamento. Se Palocci foi cortado, por que outros não?

Muitos movimentos sociais já estavam na luta há anos. Todavia, vale ressaltar que o povo que ocupa as ruas agora não. Não os rechacem, a presença daqueles que queiram contribuir é bem vinda. Aliás, lembro também que muitas Belas Adormecidas estão acordando e Cinderelas estão descobrindo que suas carruagens são abóboras, até mesmo aquelas que estão sob a égide do Estado, sendo explorados sem ao menos perceber. É aí que está o caminho e o cerco por todos os lados.

Calma, não é uma primavera. Talvez seja um veranico de inverno ou o fim do mesmo. Cabe a nós começarmos a nos alimentar com sopão de reivindicações e os pratos, melhor, as pautas tornam-se melhor divididas e digeridas com o tempo. O protesto agora não tem dono, não exijam foco. Deixem o povo aprender como se ocupam as ruas. É cedo dizer onde isto nos levará, mas é certo dizer que até que enfim estamos aprendendo a fazer democracia.

Relato escrito pela amiga Karla Joyce que é Cientista Política - UNB